A Influência da Sobrecarga na Vida Útil do Pavimento

Na construção de rodovias, é fundamental a análise de um complexo de dados que influenciarão no adequado dimensionamento do pavimento, como o tipo de solo, sua compactação, a flexibilidade, o clima da região, além de aspectos relacionados com o tráfego de veículos.

A característica do tráfego é determinante na qualidade e na durabilidade do pavimento, sendo necessário a correta identificação das cargas que incidirão neste calçamento ao longo dos anos. Ocorre que normalmente se estima um trânsito homogêneo, quando se sabe que o tipo de veículo, as cargas transportadas, as configurações de eixos e rodas, a velocidade empregada entre outros, acabam sendo influenciando nesses cálculos.

Essas variáveis podem ocasionar degradações prematuras como deformações permanentes, trincas e perda de material da superfície de rolamento.

Em geral, o pavimento é construído ante uma perspectiva de longo prazo, sendo dimensionado para atender ciclos de vida entre 8 a 10 anos, tratados como de média duração, sendo que, a cada renovação, são dimensionados com base no valor estrutural residual e nos valores dos parâmetros do tráfego esperados para o novo ciclo.

Para os mencionados cálculos estruturais das rodovias e determinação dos materiais a serem empregados, utilizam-se os limites legais que os veículos de carga podem transportar.

Estudos propõem uma curva de percentual de sobrecarga por eixo versus redução da vida útil, Pinto e Preussler (2002). Num cenário com veículos com sobrecarga de 30%, tem-se um aumento no carregamento do pavimento de 43,59%, havendo uma tendência de redução da vida útil do pavimento de 10 anos para, apenas, 2,5 anos.

A realidade nas rodovias federais brasileiras, todavia, é mais grave! Em audiência pública realizada no dia 12 de setembro de 2006, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes – DNIT (DNIT, 2019), na ocasião da apresentação do Plano Diretor Nacional Estratégico de Pesagem, informou que um estudo realizado apresentava que 77% dos veículos transportadores trafegavam com sobrepeso.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) (OECD, 1998), baseado no estudo realizado denominado “Dynamic Interaction Between Vehicles And Infrastructure Experiment”, apresentou estudo onde estima que até 2% do PIB de um país pode ser comprometido, por ano, em razão de danos causados pelo excesso de peso em rodovias.

Referido estudo considera o custo de transporte da carga, os custos de manutenção das rodovias e os custos com acidentes de trânsito. Utilizando-se os dados do OCDE, o Brasil teria uma perda de mais de U$ 41 bilhões de dólares com os danos causados com o excesso de peso.

Obras Citadas

DNIT, D. N. (Dezembro de 2019). www.DNIT.gov.br. Fonte: DNIT: http://www.dnit.gov.br/download/rodovias/operacoes-rodoviarias/pesagem/audienciapublica-pdnet.pdf

OECD. (1998). Dynamic Interaction Between Vehicles and Infrastructure Experiment. Paris.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *